sexta-feira, 1 de março de 2013

Quarta noite do Festival Acreano de Vídeo trouxe surpresas à Biblioteca da Floresta



Cinestas Adalberto Queiroz, Sérgio Carvalho e Carina Cordeiro

A Biblioteca da Floresta foi presenteada na noite de ontem com a exibição da primeira produção audiovisual realizada por um estagiário da instituição. O público lotou o auditório da biblioteca para assistir o documentário “Etnograffiti”, dirigido por Carina Cordeiro e exibido na quarta noite do 10º Festival Acreano de Vídeo.


O curta da cineasta é fruto da cobertura da Oficina de Etnograffiti, ministrada pelos membros do Coletivo Etnia - Claudeney Alves, Jessé Luiz e Tiago Tosh - em 2012, na biblioteca. A produção retrata a cultura dos grafiteiros em suas intervenções urbanas e mostra o processo de criação do stencil, o corte, técnicas de desenho, no qual a arte moderna e a tradicional (influência dos povos indígenas) são estudadas e valorizadas.


Como parte de uma atividade externa, a aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), Mágila Alves, veio com a turma do 3º período prestigiar os filmes exibidos. Para a acadêmica, o filme lhe chamou a atenção por ter uma linguagem acessível e por mostrar uma nova visão para os acreanos sobre a arte do grafite, que é desconhecida e discriminada.


Na sequência, foi apresentada a animação “Awara Nane Putane – Uma História do Cipó”, de Sérgio Carvalho. Narrado inteiramente em idioma yawanawá, povo pertencente ao tronco linguístico Pano, o trabalho conta o mito de origem do uso tradicional da ayahuasca, na versão da etnia, que vive no coração da floresta amazônica, nas margens do Rio Gregório, no Acre.  Em sinal de agradecimento, ao final do evento, Sérgio presenteou a Biblioteca da Floresta com a cópia do filme exibido.


Samara Lira, também estudante de Jornalismo, disse ter gostado muito do filme. “A animação mostrou uma cultura tão diferente e até desconhecida por muitos do próprio Estado. É uma iniciativa muito boa, pois nos mostra outras culturas e temos a oportunidade de aprender e falar para os outros”, disse.


Finalizadas as exibições, os cineastas tiveram um momento de interação com a plateia, respondendo e contando um pouco sobre a produção. O presidente da Associação Acreana de Cinema (Asacine), Adalberto Queiroz, elogiou os trabalhos. “Vendo estes filmes de tanta qualidade, sinto-me imensamente alegre, pois nós da Asacine sabemos que a luta que tivemos está entregue em boas mãos: uma nova geração mostrando um trabalho promissor e gratificante”.


Conheça mais sobre a cineasta Carina Cordeiro: 


A carreira de Cordeiro no cinema teve início em 2010, quando iniciou seus estudos no curso de Cinema e Arte da Usina de Arte João Donato. Um ano depois se formou e em 2012 voltou à instituição como professora de Produção de Vídeo, onde permanece até hoje.

Neste mesmo ano, ela passou a fazer parte do quadro de colaboradores da Biblioteca da Floresta, quando então recebeu o convite do diretor da casa para cobrir uma oficina de grafite já em andamento.


Atualmente com seis produções audiovisuais, mas operando em fotografia, Carina diz que este curta foi sua primeira experiência como diretora e conta que gostou tanto que já tem planos para um próximo roteiro de ficção. “Para mim foi maravilhoso fazer parte de tudo isso e ser desafiada a dirigir um curta. Com isso, identifiquei que tenho um grande apreço por falar muito em pouco tempo”, conta, sorrindo, a cineasta.

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