quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia da Poesia é comemorado com recital na biblioteca



Recital foi assistido por usuários e funcionários da biblioteca

Para celebrar o Dia Nacional da Poesia, a Biblioteca da Floresta promoveu, no salão do acervo, um recital com a participação do poeta acreano Raimundo Nonato. O autor do livro “As curvas do rio da vida” declamou, para os usuários e funcionários da instituição, três poesias de sua autoria: “Conflito”, “Amazônia” e “Filósofo”. “É uma alegria muito grande ter participado desta homenagem à poesia”, disse Nonato, que, neste ano, lança seu segundo livro. 

Para o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso, festejar o Dia da Poesia é comemorar também a liberdade e a elevação do sentido da condição humana. “Existem poemas nas palavras dos profetas, nas ciências, na filosofia e em todas as outras artes”, disse.

Confira, a seguir, a poesia “Amazônia”,  inspirada na luta e na memória do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, assassinado há quase 25 anos:



Amazônia!


Inferno verde!
Pulmão do planeta!
Celeiro de homens!
Selvagens, primitivos, arredios...
Que nem sabem
Ainda
Que outro homem
(e existe, sim, um  outro homem)
Já chegou à lua
E navega velozmente
Entre as mais longínquas estrelas
A caminho de marte
E da morte.
Estrelas, ante cuja dimensão e luz
O nosso pequenino e limitado do sol
Empalidece.


Amazônia!
Quantos segredos
Mistérios, encantos!
Recursos, quantos!
Para salvar o País
Da eterna etérea
Dívida
Já há muito tempo, não devida.
E da leviandade
Dos seus pretensos
Donos!
 E quantos danos
A ti
Essa insanidade Voraz
Traz!

Amazônia!
Celeiro de vidas!
Ah! Vidas. Ávidas, inertes, adormecidas
Que podem salvar
Milhões de vidas
E a vida do planeta
Que trôpega, que vegeta
Pela ação dos insensatos
Pretensos proprietários
Dos sonhos
De toda a vida...

Ah! Amazônia!
Quem te protegerá
E te defenderá
Da sagacidade
Dos que te reclamam
A vida
A propriedade
A possa
A paternidade?

Quem sabe, um novo sonho
Gerado em tuas entranhas...
E novas e intrépidas Amazonas
Cavalgando no teu seio
Regenere tuas fibras
Tua história
Teus valores.
O teu amor por ti mesma
Por teus filhos
Por teus seres
Por todos teus ancestrais?...

Amazônia!
Quando queima
Em meu peito
O ardor pelo desprezo
Dos que juram a ti querer
E o fazem com alarde
Não é possível esquecer
Que nesse exato momento
Num macabro investimento
Cuja gana, é o sentimento
O teu seio
Em fogo arde!

Amazônia!
Ama-te
Antes que seja
Tarde!
E tarde, foi ontem
À tarde.
Ontem à tarde
Foi tarde demais.
A chama e a gana
Não conhecem
Limites
Amazônia
Os teus limites
Estão
No limite!
Amazônia
Acorda!
A corda, arrebenta!
Sempre do lado
Mais frágil.
Sempre do lago
Mais árido.
Sempre do leito
Mais tênue

Amazônia!
Arma-te
Enquanto tens.
Se é que ainda tens.
Ama-te
Enquanto é tempo.
Se é que ainda há tempo.

Amazônia!
O teu tempo
Está nublado.
O teu tempo
É tenebroso.
O teu clima
Esquentou muito
O teu tempo
Está contado.
Amazônia
Ainda terás
Tempo?

(Raimundo Nonato)

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