quinta-feira, 21 de março de 2013

SENHORA DE 95 ANOS RECORDA MOMENTOS EM QUE VIVEU COMO SERINGUEIRA

Ex-seringueira conhece replica da Casa do Seringueiro

Situada no segundo piso da Biblioteca da Floresta, a Casa do Seringueiro, revitalizada nesta semana, continua despertando curiosidades e admiração das pessoas que a visitam. O espaço agora conta com um belo jirau e um fogão de barro e representa a identidade do povo acreano.
A aposentada Zuila Bezerra da Costa, de 95 anos, conheceu pela primeira vez o espaço e, em meio a lamparinas, machadinhos, baldes e outros objetos utilizados nas colocações, relembrou sua infância no seringal Piauí.
 
“Na época existiam muitos homens, eles eram separados em dois grupos, uns iam para a guerra e os outros ficavam no seringal colhendo o látex, como o meu pai, José Bezerra da Costa. Ele tinha que trabalhar para sustentar a família”, rememorou Zuila.
 
Ela conta que viveu naquele seringal por cerca de 15 anos até conhecer seu marido, Manoel Batista Lopes. Juntos, foram morar em Brasiléia, onde a ex-seringueira vive até hoje, mesmo após o falecimento do companheiro.
Em um passeio por Rio Branco, a neta Edjane Bezerra resolveu apresentar a instituição à avó, que não esperava se deparar com tantas lembranças do passado. Edjane ficou encantada com o cenário e disse ter presenciado alguns fatos narrados pela avó.

Edjane Bezerra, Zuila Bezerra e o bisneto João Pedro Vicente

Tanto Zuila quanto Edjane encontraram na biblioteca um espaço dedicado não só para a leitura, mas um local de aconchego e respeito à memória de muitos seringueiros que deram a vida pelas suas famílias nos seringais acreanos.


terça-feira, 19 de março de 2013

Biblioteca da Floresta revitaliza Casa do Seringueiro

A Casa do Seringueiro fica no Espaço Povos da Floresta, no
segundo piso da biblioteca (Foto: Pryscila Thays)

Os tapumes de paxiúba e o cheiro de borracha defumada não deixam dúvidas: estamos diante da réplica perfeita de uma simples, porém aconchegante moradia típica dos seringais acreanos. Os instrumentos de corte e caça e as imagens de santos na parede dão ainda mais realismo à Casa do Seringueiro, exposta há quatro anos no segundo piso da Biblioteca da Floresta e que, após revitalização, foi entregue aos visitantes na manhã desta terça-feira (19).

Representando uma das identidades mais fortes do povo acreano, o cenário recebeu um fogão de barro, uma mesa de madeira e um jirau – mezanino para guardar louças e outros itens domésticos. Os objetos foram feitos de forma artesanal sob a supervisão do seringueiro Aldenor Costa Souza, que já perdeu as contas de quantos trabalhos iguais a estes precisou fazer em seus mais de 70 anos de vida, 42 deles dedicados ao corte de seringa.

O seringueiro Aldenor Souza supervisionou a construção
do fogão de barro e do jirau (Foto: Carina Cordeiro)
“Nas colocações, toda mulher quer jirau. Então eu já trabalhei muito com esse tipo de construção. Nessas horas, seringueiro também é artesão e carpinteiro”, disse Aldenor, que vivia no seringal Grajaú, em Cruzeiro do Sul, e hoje corta seringa no Parque Capitão Ciríaco, uma área florestal em pleno Centro de Rio Branco. No local está a sede da Fundação de Cultura Garibaldi Brasil (FGB), que apoiou a biblioteca nesta revitalização.

Quando a instituição apresentou a revitalização do espaço a seus usuários e colaboradores, o aparelho de rádio instalado na Casa do Seringueiro transmitia os sons estáticos da única emissora sintonizada nos seringais do Acre, a Difusora Acreana, “A Voz das Selvas”. O momento emocionou alguns visitantes.

O jirau é uma construção comum nos seringais (Foto: Carina Cordeiro)
“Conhecer isso aqui foi uma grande surpresa. Me senti na casinha do seringal onde morava, no município de Cruzeiro do Sul”, disse o ex-seringueiro Francisco Alves Pedrosa, de 75 anos, que, por acaso, teve a oportunidade de se reencontrar com sua história após acompanhar a neta Ana Luiza Pedrosa, de 10 anos, à biblioteca para uma pesquisa da escola.

A revitalização da Casa do Seringueiro foi idealizada pelo coordenador de Infraestrutura da biblioteca, Abraão Moreno. O evento coincidiu com os dias do Artesão e do Carpinteiro. Na ocasião, a equipe da instituição homenageou Marcondes da Paixão e Luiz Avelino da Silva, que construíram o fogão de barro e o jirau, assim como Aldenor, supervisor do trabalho.

A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), a Secretaria de Estado de Turismo e Lazer (Setul) e a FGB apoiaram o evento.


Resgate da identidade acreana

Revitalização teve apoio da FEM, FGB e Setul
Para o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso, a revitalização da Casa do Seringueiro representa um momento importante para a instituição “porque reforça uma identidade que a biblioteca possui, que é o diálogo com os povos da floresta. O jirau é uma obra de arte que faz parte da história da nossa arquitetura florestânica”.

“Nós não podemos deixar de apoiar iniciativas dessa natureza, pois qualquer ação que fortaleça nossa identidade é fundamental para a sociedade”, disse o presidente da FGB, Rodrigo Forneck.

O diretor de Políticas Culturais da FEM, Assis Pereira, que nasceu e cresceu em um seringal, reforçou a importância da Casa do Seringueiro e da Biblioteca da Floresta para a valorização da identidade acreana. “Esta biblioteca é um retrato fiel do que é o berço da nossa cultura, pois mostra a convivência dos povos da floresta com a natureza”. (Por Leandro Chaves)

Veja, a seguir, mais imagens do evento:








segunda-feira, 18 de março de 2013

Espaço Povos da Floresta emociona ex-seringueiro



Pedrosa mora em Cruzeiro do Sul e foi seringueiro por 45 anos

A estudante Ana Luiza Pedrosa da Silva, de 10 anos, trouxe, na manhã desta segunda-feira (18), o seu avô, Francisco Alves Pedrosa, de 75 anos, para conhecer a Biblioteca da Floresta. A jovem visitou a instituição pela primeira vez no ano passado com a turma de sua antiga escola, Castelo Branco.

Ao conhecer a Casa do Seringueiro no espaço Povos da Floresta, no segundo piso da biblioteca, Pedrosa, que é ex-seringueiro, relembrou os 45 anos de sua vida em que morou numa casa de paxiúba e precisou acordar cedo para cortar seringa.

“Quando voltar para Cruzeiro do Sul vou contar aos amigos que cortavam seringa comigo sobre esse lugar! Conhecer isso aqui foi uma surpresa!” (Por Anaís Cordeiro)

sexta-feira, 15 de março de 2013

No Dia do Consumidor, biblioteca propõe fim do uso de copos descartáveis



O projeto foi apresentado pela coordenadora de Humanização, Juliana Leon

No Dia Internacional do Consumidor, comemorado nesta sexta-feira (15), a Biblioteca da Floresta, órgão ligado à Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), iniciou o projeto de conscientização para o uso sustentável dos copos descartáveis. A primeira ação reuniu, no Espaço Multimídia, usuários e funcionários do turno da manhã para a entrega de copos plásticos reutilizáveis.


 A iniciativa reafirma o compromisso da instituição com a A3P, a Agenda Ambiental da Administração Pública, elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e adotada pelo governo do Acre por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Mensalmente, a biblioteca consome mais de três mil copos descartáveis e, com essa iniciativa, pretende eliminar completamente seu uso até 5 de setembro, quando se comemora o Dia da Amazônia. Para isso, a instituição orienta seus usuários a trazerem seus copos pessoais ou garrafas plásticas.

Durante a campanha, serão distribuídos 150 copos para usuários

Serão oferecidos nos próximos dias 150 copos reutilizáveis que substituirão os recipientes descartáveis. Ao propor o projeto, a biblioteca espera que, ao longo do ano, o uso de copos e garrafas pessoais torne-se um hábito entre usuários e funcionários. (Por Anaís Cordeiro)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia da Poesia é comemorado com recital na biblioteca



Recital foi assistido por usuários e funcionários da biblioteca

Para celebrar o Dia Nacional da Poesia, a Biblioteca da Floresta promoveu, no salão do acervo, um recital com a participação do poeta acreano Raimundo Nonato. O autor do livro “As curvas do rio da vida” declamou, para os usuários e funcionários da instituição, três poesias de sua autoria: “Conflito”, “Amazônia” e “Filósofo”. “É uma alegria muito grande ter participado desta homenagem à poesia”, disse Nonato, que, neste ano, lança seu segundo livro. 

Para o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso, festejar o Dia da Poesia é comemorar também a liberdade e a elevação do sentido da condição humana. “Existem poemas nas palavras dos profetas, nas ciências, na filosofia e em todas as outras artes”, disse.

Confira, a seguir, a poesia “Amazônia”,  inspirada na luta e na memória do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, assassinado há quase 25 anos:



Amazônia!


Inferno verde!
Pulmão do planeta!
Celeiro de homens!
Selvagens, primitivos, arredios...
Que nem sabem
Ainda
Que outro homem
(e existe, sim, um  outro homem)
Já chegou à lua
E navega velozmente
Entre as mais longínquas estrelas
A caminho de marte
E da morte.
Estrelas, ante cuja dimensão e luz
O nosso pequenino e limitado do sol
Empalidece.


Amazônia!
Quantos segredos
Mistérios, encantos!
Recursos, quantos!
Para salvar o País
Da eterna etérea
Dívida
Já há muito tempo, não devida.
E da leviandade
Dos seus pretensos
Donos!
 E quantos danos
A ti
Essa insanidade Voraz
Traz!

Amazônia!
Celeiro de vidas!
Ah! Vidas. Ávidas, inertes, adormecidas
Que podem salvar
Milhões de vidas
E a vida do planeta
Que trôpega, que vegeta
Pela ação dos insensatos
Pretensos proprietários
Dos sonhos
De toda a vida...

Ah! Amazônia!
Quem te protegerá
E te defenderá
Da sagacidade
Dos que te reclamam
A vida
A propriedade
A possa
A paternidade?

Quem sabe, um novo sonho
Gerado em tuas entranhas...
E novas e intrépidas Amazonas
Cavalgando no teu seio
Regenere tuas fibras
Tua história
Teus valores.
O teu amor por ti mesma
Por teus filhos
Por teus seres
Por todos teus ancestrais?...

Amazônia!
Quando queima
Em meu peito
O ardor pelo desprezo
Dos que juram a ti querer
E o fazem com alarde
Não é possível esquecer
Que nesse exato momento
Num macabro investimento
Cuja gana, é o sentimento
O teu seio
Em fogo arde!

Amazônia!
Ama-te
Antes que seja
Tarde!
E tarde, foi ontem
À tarde.
Ontem à tarde
Foi tarde demais.
A chama e a gana
Não conhecem
Limites
Amazônia
Os teus limites
Estão
No limite!
Amazônia
Acorda!
A corda, arrebenta!
Sempre do lado
Mais frágil.
Sempre do lago
Mais árido.
Sempre do leito
Mais tênue

Amazônia!
Arma-te
Enquanto tens.
Se é que ainda tens.
Ama-te
Enquanto é tempo.
Se é que ainda há tempo.

Amazônia!
O teu tempo
Está nublado.
O teu tempo
É tenebroso.
O teu clima
Esquentou muito
O teu tempo
Está contado.
Amazônia
Ainda terás
Tempo?

(Raimundo Nonato)