terça-feira, 19 de março de 2013

Biblioteca da Floresta revitaliza Casa do Seringueiro

A Casa do Seringueiro fica no Espaço Povos da Floresta, no
segundo piso da biblioteca (Foto: Pryscila Thays)

Os tapumes de paxiúba e o cheiro de borracha defumada não deixam dúvidas: estamos diante da réplica perfeita de uma simples, porém aconchegante moradia típica dos seringais acreanos. Os instrumentos de corte e caça e as imagens de santos na parede dão ainda mais realismo à Casa do Seringueiro, exposta há quatro anos no segundo piso da Biblioteca da Floresta e que, após revitalização, foi entregue aos visitantes na manhã desta terça-feira (19).

Representando uma das identidades mais fortes do povo acreano, o cenário recebeu um fogão de barro, uma mesa de madeira e um jirau – mezanino para guardar louças e outros itens domésticos. Os objetos foram feitos de forma artesanal sob a supervisão do seringueiro Aldenor Costa Souza, que já perdeu as contas de quantos trabalhos iguais a estes precisou fazer em seus mais de 70 anos de vida, 42 deles dedicados ao corte de seringa.

O seringueiro Aldenor Souza supervisionou a construção
do fogão de barro e do jirau (Foto: Carina Cordeiro)
“Nas colocações, toda mulher quer jirau. Então eu já trabalhei muito com esse tipo de construção. Nessas horas, seringueiro também é artesão e carpinteiro”, disse Aldenor, que vivia no seringal Grajaú, em Cruzeiro do Sul, e hoje corta seringa no Parque Capitão Ciríaco, uma área florestal em pleno Centro de Rio Branco. No local está a sede da Fundação de Cultura Garibaldi Brasil (FGB), que apoiou a biblioteca nesta revitalização.

Quando a instituição apresentou a revitalização do espaço a seus usuários e colaboradores, o aparelho de rádio instalado na Casa do Seringueiro transmitia os sons estáticos da única emissora sintonizada nos seringais do Acre, a Difusora Acreana, “A Voz das Selvas”. O momento emocionou alguns visitantes.

O jirau é uma construção comum nos seringais (Foto: Carina Cordeiro)
“Conhecer isso aqui foi uma grande surpresa. Me senti na casinha do seringal onde morava, no município de Cruzeiro do Sul”, disse o ex-seringueiro Francisco Alves Pedrosa, de 75 anos, que, por acaso, teve a oportunidade de se reencontrar com sua história após acompanhar a neta Ana Luiza Pedrosa, de 10 anos, à biblioteca para uma pesquisa da escola.

A revitalização da Casa do Seringueiro foi idealizada pelo coordenador de Infraestrutura da biblioteca, Abraão Moreno. O evento coincidiu com os dias do Artesão e do Carpinteiro. Na ocasião, a equipe da instituição homenageou Marcondes da Paixão e Luiz Avelino da Silva, que construíram o fogão de barro e o jirau, assim como Aldenor, supervisor do trabalho.

A Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), a Secretaria de Estado de Turismo e Lazer (Setul) e a FGB apoiaram o evento.


Resgate da identidade acreana

Revitalização teve apoio da FEM, FGB e Setul
Para o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso, a revitalização da Casa do Seringueiro representa um momento importante para a instituição “porque reforça uma identidade que a biblioteca possui, que é o diálogo com os povos da floresta. O jirau é uma obra de arte que faz parte da história da nossa arquitetura florestânica”.

“Nós não podemos deixar de apoiar iniciativas dessa natureza, pois qualquer ação que fortaleça nossa identidade é fundamental para a sociedade”, disse o presidente da FGB, Rodrigo Forneck.

O diretor de Políticas Culturais da FEM, Assis Pereira, que nasceu e cresceu em um seringal, reforçou a importância da Casa do Seringueiro e da Biblioteca da Floresta para a valorização da identidade acreana. “Esta biblioteca é um retrato fiel do que é o berço da nossa cultura, pois mostra a convivência dos povos da floresta com a natureza”. (Por Leandro Chaves)

Veja, a seguir, mais imagens do evento:








Um comentário:

  1. Em quase todos os interiores do meu Estado do Pará, até próximo de Belém, sempre teve o jirau, hoje em dia talvez menos.

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