Nixi Pae são letras dos cantos do povo indígena Huni
Kui (Kaxinawá) que falam de como os seus antepassados conseguiram encontrar o
cipó, utilizado na preparação do chá da Ayahuasca - ou Santo Daime para os não
índios. Essas canções também são chamados pelos Huni Kui de “cantos da floresta”.
Seu objetivo é purificar e dar força ao índio quando ele toma o chá.
Com a invasão da cultura não índia nas aldeias, o
Nixi Pae foi se perdendo, sendo conhecido apenas pelos mais velhos. Mas uma
iniciativa vinda dos próprios indígenas busca resgatar essa cultura e estendê-la
ao mundo.
Em 2007, foi realizado um processo de gravação, transcrição
e tradução do Nixi Pae. O trabalho foi feito pelo indígena Ibã Huni Kui
Kaxinawá, com apoio da antropóloga Nietta Monte e Dedê Maia, por meio da ONG
Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC). Após esse processo, foi pensada na
produção de pinturas baseadas nesses cantos.
As imagens são representações em cores dos cantos e
da vida na floresta. Através deles, é possível compartilhar amplamente a
tradição do Nixi Pae. Os cantos são falados na língua rãtxa-kuí, mas os quadros
podem ser compreendidos por qualquer pessoa.
“Sinto-me
agradecido. Ter esses quadros expostos na Biblioteca da Floresta, para mim, é
como um agradecimento à cultura e a história dos Huni Kui”, comenta o
estagiário da instituição, Alan Alves, descendente das nações Huni Kui e
Apurinã e irmão de um dos artistas.
As obras expostas no segundo piso da Biblioteca da
Floresta foram feitos com lápis de cor, pincel atômico e giz de cera. Em maio
de 2011, fizeram parte da exposição “Histoires de voir – Show and tell”, da
Fundação Cartier de Paris, e em abril do ano passado integraram a exposição
“Acre Origens, Essência e Mostra” na Rio+20, realizada no Rio de Janeiro.
(Por: Anaís Cordeiro)


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