| A palestra teve como base a tese da Drª. Erika Mesquita |
A palestra, baseada na tese de doutorado de Mesquita pela
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também apresentou as percepções desses
povos sobre o aquecimento global a partir de suas relações com espécies de
animais da floresta amazônica.
| Participaram da palestra estudantes, antropólogos e indígenas |
O sapo que antes “cantava” para avisar a chegada da chuva ou
de uma frente fria não o faz mais com esta finalidade, assim como a presença de
teias de aranhas na floresta não sinaliza mais a aproximação do verão - entre outros
exemplos. Para Erika, tudo isso é consequência das mudanças do clima e tem
desorientado tanto os índios como esses bichos.
“A normalidade para os ciclos climáticos determina
atividades específicas para esses povos. No verão, por exemplo, é tempo de coletar
sementes para o artesanato. Mas os indígenas tem percebido que determinadas
sementes não são mais encontradas neste período”, disse a pesquisadora. O
atraso na floração das árvores e o mau cheiro dos peixes também indicam essa
anormalidade.
| Secretário de Assuntos Indígenas Zezinho Yube ratificou as informações da palestra |
Segundo a cosmologia indígena, os efeitos das mudanças
climáticas são respostas (ou “castigo”) ao desmatamento e à poluição provocada
pelos não índios.
“Os moradores da floresta, indígenas ou não indígenas,
também contribuem, e muito, com sua ciência nativa, para os debates atuais
sobre as transformações no clima”, concluiu Mesquita.
Participaram do evento estudantes, pesquisadores,
antropólogos, indígenas, entre outros interessados. Também estiveram presentes
o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso Pontes; a presidente da
Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Francis Mary; o assessor para Assuntos
Indígenas do Governo do Estado, Zezinho Yube Kaxinawá; e o pró-reitor de
Assistência Estudantil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Acre (Ifac), Emerson Gaspar.
A palestra fez parte da programação dos “25 Anos Chico
Mendes Vive Mais”, um conjunto de ações realizadas ao longo do ano para
celebrar os ideais do líder seringueiro e ambientalista xapuriense.
(Por Leandro Chaves)
(Fotos: Camila Holsbach)
| Diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso Pontes |
| Pesquisadora e palestrante Drª. Erika Mesquita |
| Presidente da Fundação Elias Mansour, Francis Mary |
| Pró-reitor de Assistência Estudantil do Ifac, Emerson Gaspar |
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