Por: Anaís Cordeiro
Estátua de Plácido de Castro
localizada no local onde ocorreu a emboscada que o feriu
No
dia 9 de Agosto de 1908, Plácido de Castro, herói da Revolução Acreana, foi
ferido em uma emboscada preparada para assassiná-lo enquanto se dirigia para
sua propriedade. O ataque foi planejado por lideranças da época, que enciumadas
pelo seu prestígio,viam em Plácido uma ameaça à sua governança.A tocaia fora
bem sucedida e Plácido faleceu dois dias depois. Em 2008, centenário de sua
morte, o local onde ocorreu a emboscada, localizado no Seringal Benfica, ganhou
oito estátuas, onde já havia um memorial, reconstituindo o momento em que ele
fora atacado covardemente por uma dezena de jagunços.
Cento
e quatro anos depois, no mesmo dia e local onde ocorreu a tocaia que vitimara
Plácido,o 4º Batalhão de Infantaria e Selva (BIS) organizou uma solenidade
homenageando-o. Foram convidados membros da Confraria da Revolução,
grupo temático da Biblioteca da Floresta,
que se reúne parar discutir a história do Acre, e em especial da
Revolução Acreana, paixão comum entre eles.
Membros da Confraria da Revolução
se reúnem em diálogo com militares
“A beleza do Plácido
é que ele lutava junto com outros nomes contra a internacionalização do Acre. Era
uma loucura existir uma estrela vermelha no meio da selva amazônica, mas hoje
isso é simbolizado na nossa bandeira.” afirmou, emocionado, Abrahim Farhat, o Lhé, membro ativo
da Confraria da Revolução que participou da solenidade ao lado de Teodoro
Quintella, Adalberto Queiroz e Luís Vasconcelos, também membros do grupo. Esteve
presente ainda o diretor do Patrimônio Histórico do Acre, Libério de Souza, que,
em suas palavras, reafirmou a importância de Plácido de Castro para a história
não só do Acre, mas do Brasil.
Além de historiadores de profissão e paixão, foram convidados
para participar do evento alunos das escolas do entorno, como Ruy Azevedo e São
Pedro, que tiveram seus diretores convidados a hastear as bandeiras brasileira
e acreana enquanto a banda e um coraldo 4º BIS fazia a apresentação do Hino do
Acre.
As duas escolas modificaram suas programações normais e
dedicaram-se ao projeto proposto pelo 4º BIS. Seus alunos realizaram a leitura
de uma redação alusiva à Revolução Acreana e os estudantes da escola Ruy
Azevedo apresentaram uma maquete demonstrando a proximidadedas duas escolas com
o local histórico. A criançada demonstrou estar à vontade e familiarizada não
só com a história, mas com o local onde ela ocorreu: na sua própria comunidade.

Estudantes da Escola Ruy Azevedo apresentam o resultado do trabalho de toda a escola para homenagear Plácido
Encerrando
a solenidade, o comandante do 4º BIS, tenente-coronel Danilo Mota Alencar,
agradeceu a presença de todos e falou sobre a iniciativa de homenagear Plácido:
“O Batalhão do 4º BIS possui Plácido de Castro como patrono, por isso
resolvemos parar as atividades diárias e nos voltar para conhecer um pouquinho
mais da história, é isso que nós estamos buscando aqui. E esperamos ter mais
oportunidades para realizar atividades como essa”. Após suas palavras de
agradecimento, o comandante convidou a criançada para desfrutar de um lanche
preparado pelo próprio batalhão.
Após a solenidade as crianças
foram servidas com um delicioso lanche
Biblioteca apoia essa e outras
ações
Foram
necessários alguns anos para que Plácido de Castro fosse reconhecido pelo
governo brasileiro como herói nacional, mas ações locais são necessárias para
que além de preservada, sua história seja disseminada. Envolver a comunidade em
atividades como essa é garantir que o passado continue vivo, mantendo seu espaço
na continuação da história. A Biblioteca da Floresta apoia e parabeniza ações
como essa e convida a todos a conhecer mais sobre a bela história acreana, que
possui heróis que não abriram mão de suas convicções para que nos tornássemos o
que somos hoje.






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