“Tudo que é mostrado aqui eu sei que existiu, porque eu
vivi”, assim, enquanto percorria os ambientes, lecionava com exemplos de vida.
E foi o aluno, agora professor e diretor da Biblioteca da
Floresta, Marcos Afonso Pontes, quem deu as boas vindas, saudando as
contribuições dadas por João de Almeida à trajetória de tantos acreanos. Os
visitante trouxeram de presente o livro de poemas “Eterno Finito” escrito por Elicio
Pontes, publicado em Brasília.
| Professor Marcos Afonso recebeu de presente o livro "Eterno Finito" |
As lembranças não pararam de brotar. “Tenho a honra de dizer que dei aula
também para indígenas”. Rivaldo Apurinã era o nome de um deles. “Eu tive que
aprender a entender ele e ele também encontrou o jeito dele de se comunicar
comigo”, contou.
Apesar de ter nascido em Bom Jardim (atual Potiretama), no
Ceará, João de Almeida não consegue se descrever como pertencente a outro lugar
que não seja o Acre.
“Já tive a oportunidade de voltar ao Ceará pra estudar,
fazer uns cursos, mas meu lugar é aqui mesmo. Como nosso Acre não tem outro
lugar igual”, afirmou.
| O visitante revelando memórias do seringal |
Os tempos nos seringais Carapiri, São Romão, Oco do Mundo
foi contado quando falava que além da vida na cidade, dos tempos dedicados a
Educação, também trabalhou como seringueiro: “Vocês querem saber quando eu
cortei seringa pela última vez? Foi no dia 18 de dezembro de 1948”, revelou.
Mas a identificação profissional aconteceu mesmo foi com a
matemática, embora tenha experimentado o bacharelado em Direito, o amor pelas
ciências exatas aliado às aulas, foi maior.
“Lembro de cada escola que estive dando aula, lembro das
preocupações em ver os meninos aprenderem o certo. Não tem outra coisa que eu tenha
nascido pra fazer”, fala com ar de quem tem consciência do bom trabalho cumprido em quatro escolas: Colégio Acreano, Colégio Estadual Barão do Rio Branco (desde os anos de escola normalista), Presidente Dutra (onde está o prédio da Biblioteca Pública Estadual) e Instituto São José.
| O professor João de Almeida com o neto Leonardo, Roberto das Neves e Paula Negreiros (bióloga da biblioteca) |
Enquanto ouvia a resposta, olhando detalhadamente a Casa do Seringueiro, localizada no segundo piso da biblioteca, o professor João de Almeida retrucava: “Mas você é um menino. Eu que tenho 83 anos foi que vi coisa. Mesmo criança já cortava seringa e andava com os adultos. Se era assim, tinha que se vestir como eles, a gente já era visto como um adulto”.
As gargalhadas vieram quando descreveram as alternativas de
embelezamento que os seringueiros recorriam ao se arrumarem para os bailes.
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| A Casa do Seringueiro, no espaço Povos da Floresta, levou os visitantes ao passado |
Encerrando a visita, o mestre de matemática, que se identifica “cearense acreano”, declarou com tom de agradecimento: “Eu digo isso [sobre a forma como se identifica] sabe porque? É que se terra tem mão, foi esta que me estendeu a mão”.
(Texto e fotos: assessoria Biblioteca da Floresta/FEM)
