quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Professor de Matemática recorda história de vida durante visita à Biblioteca da Floresta

Apresentando lições de amor ao ofício e pelo estado, João de Almeida Lima, que esteve em sala de aula por 35 anos, visitou a Biblioteca da Floresta/FEM acompanhado do neto, Leonardo, na quarta-feira, 10.

“Tudo que é mostrado aqui eu sei que existiu, porque eu vivi”, assim, enquanto percorria os ambientes, lecionava com exemplos de vida.

Aos oitenta e três anos, conta orgulhoso que muitas das lideranças locais foram alunas dele. “O governador (Tião Viana), senadores, deputados, desembargadores. Eu posso dizer que boa parte das autoridades acreanas teve a mim como professor, inclusive, o diretor desta Biblioteca”, disse.


E foi o aluno, agora professor e diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso Pontes, quem deu as boas vindas, saudando as contribuições dadas por João de Almeida à trajetória de tantos acreanos. Os visitante trouxeram de presente o livro de poemas “Eterno Finito” escrito por Elicio Pontes, publicado em Brasília.
Professor Marcos Afonso recebeu de presente o livro "Eterno Finito"
As lembranças não pararam de brotar. “Tenho a honra de dizer que dei aula também para indígenas”. Rivaldo Apurinã era o nome de um deles. “Eu tive que aprender a entender ele e ele também encontrou o jeito dele de se comunicar comigo”, contou.

Apesar de ter nascido em Bom Jardim (atual Potiretama), no Ceará, João de Almeida não consegue se descrever como pertencente a outro lugar que não seja o Acre.

“Já tive a oportunidade de voltar ao Ceará pra estudar, fazer uns cursos, mas meu lugar é aqui mesmo. Como nosso Acre não tem outro lugar igual”, afirmou.

O visitante revelando memórias do seringal
Os tempos nos seringais Carapiri, São Romão, Oco do Mundo foi contado quando falava que além da vida na cidade, dos tempos dedicados a Educação, também trabalhou como seringueiro: “Vocês querem saber quando eu cortei seringa pela última vez? Foi no dia 18 de dezembro de 1948”, revelou.
Mas a identificação profissional aconteceu mesmo foi com a matemática, embora tenha experimentado o bacharelado em Direito, o amor pelas ciências exatas aliado às aulas, foi maior.

“Lembro de cada escola que estive dando aula, lembro das preocupações em ver os meninos aprenderem o certo. Não tem outra coisa que eu tenha nascido pra fazer”, fala com ar de quem tem consciência do bom trabalho cumprido em quatro escolas: Colégio Acreano, Colégio Estadual Barão do Rio Branco (desde os anos de escola normalista), Presidente Dutra (onde está o prédio da Biblioteca Pública Estadual) e Instituto São José.

O professor João de Almeida com o neto Leonardo, Roberto das Neves e
Paula Negreiros (bióloga da biblioteca)
O encontro casual com outro visitante, o técnico em topografia, Roberto das Neves (58 anos) – que conheceu as vidas nos seringais durante seu tempo de trabalho entre 1976 e 1989 –, rendeu lembranças de detalhes e boas risadas. “Eu aprendi sobre os seringais trabalhando, eu via como eles viviam”, disse Roberto.

Enquanto ouvia a resposta, olhando detalhadamente a Casa do Seringueiro, localizada no segundo piso da biblioteca, o professor João de Almeida retrucava: “Mas você é um menino. Eu que tenho 83 anos foi que vi coisa. Mesmo criança já cortava seringa e andava com os adultos. Se era assim, tinha que se vestir como eles, a gente já era visto como um adulto”.

As gargalhadas vieram quando descreveram as alternativas de embelezamento que os seringueiros recorriam ao se arrumarem para os bailes.
A Casa do Seringueiro, no espaço Povos da Floresta,
levou os visitantes ao passado

Encerrando a visita, o mestre de matemática, que se identifica “cearense acreano”, declarou com tom de agradecimento: “Eu digo isso [sobre a forma como se identifica] sabe porque? É que se terra tem mão, foi esta que me estendeu a mão”.

(Texto e fotos: assessoria Biblioteca da Floresta/FEM)

Nenhum comentário:

Postar um comentário