Texto de Libério Souza, Diretor do Patrimônio Histórico do Acre.
Quase a metade das vinte e tantas obras de Leandro Tocantins estão na orbita do tema do nosso Acre. E não são apenas publicações ilustrativas sobre as disputas armadas, negociações diplomáticas e comerciais, jogos de interesses políticos, estruturação do sistema extrativista e cotidianidade amazônica. Trata-se de uma ampla enciclopédia que vai muito além da histórica saga nordestina. Seus escritos trazem como pano de fundo um cenário amazônico revelador de contrastantes realidades e constantes transformações. Tanto as publicações históricas quanto as obras de ficção expressam a ampla dimensão do olhar penetrante do escritor sobre o universo amazônico. Não por acaso Gilberto Freire o enxergava como um dos maiores interpretes da Amazônia, capaz de apreender no serpenteio dos rios o comando da vida amazônica e de aplicar sutil e inteligentemente a sua sensibilidade e veia poética em todos os seus livros.
Convencido e atraído pela idéia de enrobustecer o acervo da Biblioteca da Floresta integrei o grupo que foi ao encontro da família para requerer a guarda dos possíveis temas amazônicos deixados pelo escritor. A ponte com a família partiu do jornalista Mauricio Melo, da TV Senado, que aceitou compor a equipe desde Brasília. Representando o Governo do Acre foram além de mim: Marcos Afonso, Marcos Vinicius e a Procuradora Rejane Lima, para tratar dos aspectos legais da imaginada doação.
Convencido e atraído pela idéia de enrobustecer o acervo da Biblioteca da Floresta integrei o grupo que foi ao encontro da família para requerer a guarda dos possíveis temas amazônicos deixados pelo escritor. A ponte com a família partiu do jornalista Mauricio Melo, da TV Senado, que aceitou compor a equipe desde Brasília. Representando o Governo do Acre foram além de mim: Marcos Afonso, Marcos Vinicius e a Procuradora Rejane Lima, para tratar dos aspectos legais da imaginada doação.
De repente, já no Rio, duas surpresas. A primeira dando ciência de que a biblioteca havia sido doada a uma instituição religiosa, cumprindo assim a vontade pessoal do Leandro ainda em vida. Fato que inevitavelmente abalou a todos deixando-nos atônitos e envoltos por um generalizado clima de frustração. E a segunda, a redenção, revelando que praticamente toda documentação (provavelmente quase toda) estava guardada e sob domínio da esposa e da filha. Bastou essa informação para mudar o astral do grupo. Após apresentação das intenções e mediante agradável bate papo foi possível ter acesso ao material engavetado. A proposição de empréstimo foi apresentada e imediatamente a família se dispôs a ceder o acervo para um órgão capaz de garantir a preservação e difusão da memória documental do autor.
A oportunidade era única e irrecusável. É como se fossem os anéis, mas ficasse o mais importante: os dedos. No caso, o acervo que estava ali a nossa frente, composto por milhares de documentos originais.
O vapor Victória e Leandro Tocantins, pela pena do renomado desenhista Poty, seu amigo pessoal…
Feito o primeiro aceno, a família demonstrou-se confiante mediante proposta de guarda da documentação existente. Um mês depois da reunião o acervo foi cedido e transportado para o Acre. Trata-se de manuscritos do Leandro referentes às pesquisas para formação histórica; fotolitos da versão original de Euclides da Cunha e o paraíso Perdido, enviado à gráfica para impressão; acervo fotográfico; objetos pessoais; condecorações; certificados, quadros; ilustrações originais de Poty, Percy Lau, Marco Antônio, Nilson Pena, José Américo e outros artistas reconhecidos pela produção nacional utilizada em praticamente todas as suas obras. Além de correspondências de Gilberto Freire, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira de Castro, Erico Veríssimo e de tantos outros documentos referentes à sua trajetória pessoal e profissional. Os contatos, as viagens e os acervos pesquisados, os cargos e, sobremaneira, a sua inquestionável relação com a Amazônia. Tudo poderá ser acessado e analisado.
No momento, todo o material está sendo sistematizado por colaboradores do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural e da Biblioteca da Floresta. Em seguida será higienizado e digitalizado e tão logo sejam concluídas as etapas descritas a documentação será disponibilizada para consulta e pesquisa a todo e qualquer interessado em conhecer a longa estrada percorrida por Leandro Goes Tocantins para nos deixar um legado que tem o respeito até mesmo daqueles que caminham por outros mares da história.
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NOTA: Para alegria de todos os historiadores e amantes do Acre, no próximo dia 15 de junho, data em que se comemora os 50 anos do Acre Estado, 10h00, o Governador Tião Viana estará recebendo das mãos da viúva e filha de Leandro, Dona Léa e Rosane Tocantins, todo o acervo pessoal do escritor, na Biblioteca da Floresta. Na solenidade, será aberta a Exposição “O Homem, a Floresta e sua Obra”. Todos estão convidados a esta justa homenagem a Leandro Tocantins e ao Acre. Dia 15, 10h00, na Biblioteca da Floresta.


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