quarta-feira, 6 de março de 2013

Biblioteca da Floresta homenageia mulheres com profissões especiais

Ângela Machado é uma das homenageadas


A Biblioteca da Floresta, órgão ligado à Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), comemora o Dia Internacional da Mulher com homenagens a sete acreanas anônimas que conquistaram direitos iguais na sociedade. O evento é aberto ao público e acontece nesta quinta-feira, 7, às 16 horas, no auditório da instituição.

Parte das homenageadas retrata o perfil da nova mulher na vida pública. Elas exercem profissões pouco habituais para o sexo feminino. Entre elas estão a motorista de ônibus Ângela Machado, a vigilante Macilene Menezes, a mecânica Ezineide Ricardo e a eletricista Lidilene Rebelo.

As mulheres de funções tradicionais típicas da Amazônia também têm seu espaço no evento. A seringueira Tereza Capoia, a artesã indígena Dalva Kaxinawá e a catraieira Maria Aparecida Lima recebem as mesmas homenagens.

A secretária de Estado de Políticas para Mulheres (SEPMulheres), Concita Maia, também será homenageada pelo seu papel na promoção de direitos igualitários para as acreanas.


A programação envolve a entrega de honrarias às homenageadas e lembranças às mulheres presentes ao evento. Será apresentado ainda um vídeo com informações sobre as principais conquistas femininas no Acre e no resto do Brasil, como o direito ao voto, a eleição da primeira parlamentar e o reconhecimento às acreanas de destaque - entre elas a presidente da FEM e poeta Francis Mary e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

O evento conta com o apoio da SEPMulheres, da Diretoria de Humanização e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia).

terça-feira, 5 de março de 2013

Festival Acreano de Vídeo é sucesso de público



Evento foi marcado pelo encontro de gerações de realizadores

O 10º Festival Acreano de Vídeo, realizado entre 25 de fevereiro e 2 de março pela Biblioteca da Floresta, órgão ligado à Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), foi um sucesso de público. Cerca de 500 pessoas participaram do evento, que abriu as comemorações dos 40 anos de cinema local.


A programação valorizou o encontro das gerações que promovem a sétima arte no Acre, ao apresentar alguns dos filmes dirigidos por Adalberto Queiroz, um dos fundadores do cinema acreano, e os trabalhos dos novos nomes do audiovisual local, como o cineasta Sérgio de Carvalho. As exibições aconteceram no auditório da biblioteca.


Entre os filmes exibidos estão “Rio Branco: 130 anos de lutas e progresso”, “Osvaldo Moura de Oliveira: rompendo barreiras e fronteiras”, “Etnograffiti”, “Awara Nane Putane: uma história do cipó”, “Empate” e “Mapinguari, a Lenda” – este último, apresentado no sábado, ganhou sessão extra para contemplar quem não conseguiu lugar no auditório lotado.


Um dos destaques da programação foi o lançamento da primeira produção audiovisual de um estagiário da Biblioteca da Floresta. A cineasta Carina Cordeiro acompanhou, em 2012, a Oficina de Etnograffiti, ministrada na instituição pelo Coletivo Etnia, e elaborou o curta-metragem de 13 minutos chamado “Etnograffiti”, que mostra o processo de criação do estêncil, corte e técnicas de desenho.


Para o diretor da Biblioteca, Marcos Afonso Pontes, o festival fez jus às quatro décadas de cinema acreano. Ele explica que o evento alcançou as expectativas porque conseguiu reunir os diversos segmentos da classe artística e atrair a população. “Depois de todos esses anos, surgiu, no Acre, uma nova geração de cineastas e o grande ponto do festival foi o encontro desses amantes do cinema com os fundadores da arte no estado”, disse.


Adalberto Queiroz, presidente da Associação Acreana de Cinema (Asacine) acredita que o festival “foi um evento de enorme sucesso e brilho, que envolveu a plateia em debates sobre o nosso cinema”.


As comemorações em torno dos 40 anos do cinema local continuarão até dezembro. No próximo dia 15, no Sesc Centro, será realizada uma exposição com os materiais utilizados ao longo dos anos pelos principais realizadores.

segunda-feira, 4 de março de 2013

“A História de Chiquinho” fará parte do plano de aula para ribeirinhos



Anábio de Andrade Barcio, ex-aluno e irmão da professora Ocicleide,
em visita à escola. (Foto cedida do acervo pessoal)
Um dos exemplares do livro “A História de Chiquinho” presente no acervo da Biblioteca da Floresta ganhou um novo lar. A ilustração infantil da história de Chico Mendes foi doada para a professora Maria Ocicleide de Andrade Barcio, que leciona aulas de História na escola de ensino fundamental Itamaraty, no município de Sena Madureira, no seringal Itamaraty. “Quando conheci esta literatura infantil percebi que a história e a didática deste livro vão ao encontro da realidade dos ribeirinhos”, diz Maria Ocicleide. Com este exemplar, mais de 90 alunos serão beneficiados com a leitura, pois a obra fará parte do planejamento de aula da professora ao longo do ano.

sexta-feira, 1 de março de 2013

“Mapinguari em Animação” será lançado neste sábado




Por Rose Farias

Reza a lenda que ele é uma criatura de um olho só, corpo coberto por um longo pêlo vermelho, um monstro de dois metros de altura, longas garras e de cheiro fétido. Esse é o mapinguari, personagem principal do curta-metragem “Mapinguari em Animação”,  de Enilson Amorim, artista plástico e chargista.  A produção será lançada neste sábado, 2, na Biblioteca da Floresta, a partir das 19h30. Serão comercializadas  cópias em DVD a R$ 20 reais.


A narrativa escolhida para dar vida à animação em 2D remete às lendas amazônicas, e revela a memória do próprio autor, que é filho de seringueiros. Enilson cresceu ouvindo as várias histórias que seus pais contavam. Essas lhe serviram de fonte de inspiração para seu trabalho.    
 

Baseado em seu livro “Mapinguari, a Lenda” (2009), o filme narrado a partir do personagem mapinguari, ganha uma roupagem infantil. O indiozinho Manauá da tribo fictícia dos Buanãs se transforma num monstro após o castigo da Cobra Grande. O mapinguari proíbe os habitantes das matas de caçarem e pescarem após a meia-noite. Para que Manauá volte a ser um indiozinho ele terá que realizar uma boa ação em defesa do meio ambiente. Isso somente acontece depois dele já adulto. Manauá consegue realizar o feito, ao espantar os madeireiros que ameaçam a floresta e sua tribo, se transformando num herói para seu povo.


Enilson,  acredita que a abordagem ambiental tratada pelo filme serve de elemento transformador. “Trabalho no filme a importância de cuidar do meio ambiente, preservar a água, as florestas, o planeta. O foco no público infantil é que os vejo como o futuro desse país, do mundo. É preciso começar a formar cidadãos conscientes já na infância”, revela o artista.

Produzida no próprio estúdio do artista, montado em sua residência, a animação foi financiada com recursos do Fundo Estadual de Cultura (FunCultura), através do edital de incentivo direto do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PreCult),  da Fundação de Cultura Elias Mansour.


O artista que narra a cultura amazônica

F
ilho de imigrantes nordestinos, começou trabalhar na imprensa acreana aos 17 anos.  No jornal O Rio Branco foi chargista por oito anos. Lá ele criou com o editor Zacarias Pena Verde o caderno infantil ‘Oriobranquinho’’, com quadrinhos do Mapinguari e Curupira. A carreira de Amorim foi marcada por inúmeras premiações locais e nacionais. Amorim trabalha hoje com arte digital e projetos que visam revitalizar a cultura amazônica com foco no público infantil.



Serviço

O que? Lançamento d curta “Mapinguari em Animação”, de Enilson Amorim

Quando? 2 de março, sábado, a partir das 19h30

Onde? Auditório da Biblioteca da Floresta

Entrada franca.


Quarta noite do Festival Acreano de Vídeo trouxe surpresas à Biblioteca da Floresta



Cinestas Adalberto Queiroz, Sérgio Carvalho e Carina Cordeiro

A Biblioteca da Floresta foi presenteada na noite de ontem com a exibição da primeira produção audiovisual realizada por um estagiário da instituição. O público lotou o auditório da biblioteca para assistir o documentário “Etnograffiti”, dirigido por Carina Cordeiro e exibido na quarta noite do 10º Festival Acreano de Vídeo.


O curta da cineasta é fruto da cobertura da Oficina de Etnograffiti, ministrada pelos membros do Coletivo Etnia - Claudeney Alves, Jessé Luiz e Tiago Tosh - em 2012, na biblioteca. A produção retrata a cultura dos grafiteiros em suas intervenções urbanas e mostra o processo de criação do stencil, o corte, técnicas de desenho, no qual a arte moderna e a tradicional (influência dos povos indígenas) são estudadas e valorizadas.


Como parte de uma atividade externa, a aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), Mágila Alves, veio com a turma do 3º período prestigiar os filmes exibidos. Para a acadêmica, o filme lhe chamou a atenção por ter uma linguagem acessível e por mostrar uma nova visão para os acreanos sobre a arte do grafite, que é desconhecida e discriminada.


Na sequência, foi apresentada a animação “Awara Nane Putane – Uma História do Cipó”, de Sérgio Carvalho. Narrado inteiramente em idioma yawanawá, povo pertencente ao tronco linguístico Pano, o trabalho conta o mito de origem do uso tradicional da ayahuasca, na versão da etnia, que vive no coração da floresta amazônica, nas margens do Rio Gregório, no Acre.  Em sinal de agradecimento, ao final do evento, Sérgio presenteou a Biblioteca da Floresta com a cópia do filme exibido.


Samara Lira, também estudante de Jornalismo, disse ter gostado muito do filme. “A animação mostrou uma cultura tão diferente e até desconhecida por muitos do próprio Estado. É uma iniciativa muito boa, pois nos mostra outras culturas e temos a oportunidade de aprender e falar para os outros”, disse.


Finalizadas as exibições, os cineastas tiveram um momento de interação com a plateia, respondendo e contando um pouco sobre a produção. O presidente da Associação Acreana de Cinema (Asacine), Adalberto Queiroz, elogiou os trabalhos. “Vendo estes filmes de tanta qualidade, sinto-me imensamente alegre, pois nós da Asacine sabemos que a luta que tivemos está entregue em boas mãos: uma nova geração mostrando um trabalho promissor e gratificante”.


Conheça mais sobre a cineasta Carina Cordeiro: 


A carreira de Cordeiro no cinema teve início em 2010, quando iniciou seus estudos no curso de Cinema e Arte da Usina de Arte João Donato. Um ano depois se formou e em 2012 voltou à instituição como professora de Produção de Vídeo, onde permanece até hoje.

Neste mesmo ano, ela passou a fazer parte do quadro de colaboradores da Biblioteca da Floresta, quando então recebeu o convite do diretor da casa para cobrir uma oficina de grafite já em andamento.


Atualmente com seis produções audiovisuais, mas operando em fotografia, Carina diz que este curta foi sua primeira experiência como diretora e conta que gostou tanto que já tem planos para um próximo roteiro de ficção. “Para mim foi maravilhoso fazer parte de tudo isso e ser desafiada a dirigir um curta. Com isso, identifiquei que tenho um grande apreço por falar muito em pouco tempo”, conta, sorrindo, a cineasta.