quinta-feira, 14 de junho de 2012

CONVITE ESPECIAL PARA VOCÊ!...




Queridos amigos e amigas, Tenho a alegria de convidar vocês para um ato muito emocionante que ocorrerá em nossa Biblioteca da Floresta nesta sexta-feira, dia 15, 10h00. Com a presença da viúva e da filha, Dona Léa e Rosane Tocantins, respectivamente,estaremos recebendo oficialmente todo o Acervo Pessoal do escritor LEANDRO TOCANTINS. Ele é o autor do livro referencial para nossa compreensão identitária: "Formação Histórica do Acre".Será uma solenidade plena de simplicidade e emoção. O Coral da Escola de Música do Acre cantará o Hino Acreano. Dona Léa Tocantinse o Governador Tião Viana assinarão o Termo de Doação e depois abriremos a exposição do Acervo. Em seguida será oferecido um coquetel com sucos e iguarias regionais.

Nesta sexta-feira, dia 15, 10h00, na Biblioteca da Floresta!

Grande abraço acreano e conto com a sua presença!

MARCOS AFONSO.
Diretor das Biblioteca da Floresta


segunda-feira, 11 de junho de 2012

COMPETIDORES DA “OLIMPÍADA DO CONHECIMENTO 2012” ASSISTEM PALESTRA NA BIBLIOTECA

Alunos do Senai, suas monitoras com o palestrante, Prof. Marcos Afonso


No último sábado, dia 9 de junho, a Usina de Humanização da Biblioteca da Floresta realizou mais uma palestra “Ética e Cultura no Tempo e no Espaço”, desta vez para oito alunos do Senai que vão representar o Acre na “Olimpíada do Conhecimento 2012” em Brasília.

Essa é a segunda vez que a palestra foi ministrada aos jovens participantes da competição. A primeira foi no ano passado, quando duas medalhas de ouro foram conquistadas.

Acompanhando os alunos estavam seus familiares, e suas professoras e psicólogas Estela Casoti e Marilyn Lyra, que idealizaram o encontro entre os competidores na Biblioteca. A psicóloga Estela Casoti expressou a importância da palestra para a preparação do grupo: “Nós fazemos um trabalho de preparação com eles individualmente e em grupo, mas é importante ampliar as suas visões. Com a palestra é como se nós ejetássemos ainda mais recursos e motivação para que eles alcancem o sucesso, independente do resultado.”


A jovem Jenifer Sandy falou das suas impressões ao final da palestra: “Foi uma motivação para nós, acima de tudo nos fortaleceu. Nossa consciência é que a cada dia nós temos que ser novos vencedores.”



A Olimpíada do Conhecimento reúne jovens de todo o país em competições que tem como conceito a criatividade, liderança e tomada de decisões. Ela foi criada em 2001 pelo Senai para premiar os alunos que se destacam em seus cursos, tornando-se a maior competição de educação profissional da Américas.

A Biblioteca da Floresta agradece a confiança depositada em sua equipe e deseja sorte a esses jovens que representarão nosso Estado e estão contribuindo ativamente para a mudança do Tempo e Espaço, pensando mais além e dedicando-se ao conhecimento.


1) Marilyn Lyra, Marcos Afonso e Estela Casoti   
2) Parte dos competidores da Olimpíada do Conhecimento                                                                                                                                        

sexta-feira, 8 de junho de 2012

CAFÉ DA MANHÃ ESPECIAL NA BIBLIOTECA DA FLORESTA



Técnicos e Estagiários da Biblioteca se despedem de Estagiários com um belo café da manhã.


Todos os dias, os técnicos e estagiários da Biblioteca da Floresta chegam mais cedo para tomar o café da manhã juntos. Cada dia alguém leva algo diferente e todos compartilham o café e histórias, estreitando assim, seus laços de amizade e companheirismo. No dia 6 de junho, o café da manhã estava mais caprichado, pois seria a despedida de três de seus mais queridos estagiários: Shayena, Isadora e Jerry.

Os próprios estagiários tomaram a iniciativa de organizar seu café da manhã de despedida e todos ajudaram levando algum quitute. Os homenageados fizeram palavras de agradecimento emocionadas sobre a experiência adquirida nesses dois anos de estágio: “Aprendi muitas coisas. Conheci e construí amizade com muitas pessoas. Hoje, fazendo uma análise da minha trajetória na Biblioteca, como o Professor Marcos Afonso sempre diz, deixei de ser uma ponte, para me tornar uma caravela”, expressou Shayena.

Os três foram presenteados pelo Prof. Marcos Afonso com canecas que contem a logomarca da Biblioteca da Floresta, para quando sempre tomarem café em casa ou em seus novos trabalhos, lembrem-se do que eles disseram ser sua segunda casa. 



A caprichada mesa do café da manhã.


Isadora, Professor Marcos Afonso, Jerry e Shayena. 

TV ALDEIA GRAVA PROGRAMA NA BIBLIOTECA DA FLORESTA


Fotos: Rogério Vasconcelos

A Biblioteca da Floresta recebeu na tarde da última segunda-feira, 04, a equipe da TV Aldeia para a gravação do programa especial da semana do meio ambiente, “Nosso jeito sustentável”, apresentado por Diego Tenutti.

O programa contou com a presença do secretário de Meio Ambiente do Acre, Edgard de Deus, do pesquisador da WWF,  Dande Tavares e o engenheiro florestal, João Paulo Mastrangelo, para discutirem e apresentarem a população alguns questionamentos em relação ao meio ambiente, além da participação de um público de professores, acadêmicos, técnicos e pesquisadores.

Foram abordados diversos assuntos como o Zoneamento Econômico Ecológico, a RIO +20, Economia Verde, Erradicação da Pobreza, Ordenamento Territorial Local (OTL) e o Plano de Desenvolvimento Comunitário(PDC), todos discutidos em forma de bate-papo com a participação do público.

Segundo o secretário de Meio Ambiente Edgard de Deus, “O Acre vem fazendo o seu dever de casa, desde 1999, por exemplo, trabalhamos com o manejo sustentável, desenvolvendo uma política coerente para o nosso Estado e servindo de modelo para a Amazônia.”

Dande Tavares, encerrou o bate-papo falando da logomarca RIO+20, que não é apenas um símbolo, mas resultado da união entre economia, meio ambiente e o próprio homem. “Devemos ter responsabilidade social e ambienta em todos os momentos, até e especialmente, na hora de ir às urnas e votar, garantindo lideranças liderança que se preocupem não só com o desenvolvimento, mas com as questões ambientais” afirmou Dande Tavares. 



Apresentador Diego Tenutti



Convidados para o debate


Participação do público


terça-feira, 5 de junho de 2012

DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE! VISITE A BIBLIOTECA!


Por: Anaís Cordeiro


Visitando a Biblioteca para fazer um trabalho para a escola sobre “Animais em Extinção”, Jackeline Mendes e Vanessa Oliveira foram presenteadas com DVD’s Institucionais da Biblioteca da Floresta.

Desde que foi criado em 1976 na Assembléia Geral das Nações Unidas, o Dia Mundial do Meio Ambiente vem sendo celebrado com passeatas, gincanas e campanhas de conscientização em todo mundo. Seu objetivo é chamar a atenção política e social para as questões ligadas a preservação do planeta.

O povo acreano em especial tem uma forte ligação com floresta. Foi em busca de suas riquezas que pouco a pouco nossa terra foi sendo ocupada, e para sobreviver, o homem foi tendo que aprender a viver em harmonia com a floresta, procurando saber como aproveitar o melhor dela, sem destruí-la: os povos da floresta, por exemplo.


A estudante do oitavo ano, Vanessa Oliveira, da Escola Mário de Oliveira, prepara seu cartaz com todo o cuidado!

O tempo passou e depois de alguns anos, o homem está tendo que rever hábitos que adquiriu, por conta de um crescimento desenfreado, para que o ritmo do aquecimento global e das mudanças climáticas desacelere.

O Dia do Meio Ambiente é reservado para que o homem reveja seus paradigmas e dialogue em busca do desenvolvimento sustentável. Mas não basta pensar em preservar o meio-ambiente para que as futuras gerações possam usufruir dele. A missão que cabe a nós diariamente é a de criar valores humanos que em meio à modernidade saibam viver em harmonia sem destruir as riquezas naturais. A missão de cada acreano é de educar nossas crianças e jovens para respeitar uns aos outros, ao ambiente, e a sua origem, ligada à floresta.

Neste sentido, a Biblioteca da Floresta convida a todos a visitá-la neste cinco de junho e em qualquer outra data. Tragam a criançada para conhecer as lendas dos povos da floresta, a sabedoria indígena e a história de homens e mulheres que lutaram pra que nossas florestas hoje, estivessem de pé. É conhecendo o passado que se constrói o futuro.

No dia 5 de junho, lutamos por um mundo melhor para nossas crianças, mas diariamente possuímos a missão de lutar por crianças cada vez melhores para o nosso mundo. 

Melhores práticas ambientais do país estão no Acre, afirmam pesquisadores




Texto de Carmela Camargo, publicado em 21/05/2012 em Agência de Notícias do Acre



A busca por um Acre sustentável se iniciou em 1999 com a elaboração do Zoneamento Econômico-Ecológico (Foto: Arquivo Secom)

Em junho ocorrerá o esperado encontro onde a presidenta Dilma Rousseff e cerca de 130 chefes de Estado debaterão o desenvolvimento sustentável na maior Conferência Mundial Sobre Meio Ambiente, a Rio + 20.
Um mapeamento das principais políticas públicas de sustentabilidade adotadas por Estados e municípios, concluído este mês por consultores contratados pelo Ministério do Meio Ambiente, mostra que o Brasil ainda tem muito a fazerneste sentido. Entretanto, segundo a mesma consultoria, o Acre é hoje apontado como o Estado que está mais à frente em estudos e práticas sustentáveis, tornando-se ao mesmo tempo protagonista e modelo de sustentabilidade para osestados brasileiros.



Acre é hoje apontado como o Estado que está mais à frente em estudos e práticas sustentáveis (Foto: Arquivo Secom)

A busca por um Acre sustentável se iniciou em 1999, com a elaboração do Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE), como o instrumento capaz de nortear o planejamento e a execução de políticas públicas, oferecendo oportunidades de crescimento econômico e uso dos recursos naturais. O documento foi construído com a participação da sociedade civil, levando em conta seus anseios, sonhos e necessidades concretas.
Nesse contexto, o Acre optou por um modelo de crescimento desde 1999, que concilia os três pilares do desenvolvimento sustentável, ou seja: uso econômico das riquezas da floresta com a valorização do patrimônio sociocultural e ambiental, para crescer com inclusão social e sustentabilidade.O ZEE tem se destacado como uma das principais ferramentas utilizadas para orientar as políticas públicas da Amazônia, definindo as potencialidades e fragilidades do território. Este Modelo de Desenvolvimento Sustentável preconizado pelo governo do Acre, baseado em estudos detalhados para uma Economia Verde com Inclusão Social, permitiu avanços significativos em 13 anos.
Recentemente, o governo apresentou no II Diálogo Federativo Rio + 20, as chamadas Iniciativas de Economia Verde do Acre. Participaram do encontro representando o Estado o secretário de Estado de Planejamento, Márcio Veríssimo, a diretora executiva da Sema, Magaly Medeiros, e  a secretária de Estado Adjunta de Desenvolvimento Social, Nara Schaffer.
Segundo Magaly Medeiros, o desafio de uma Economia Verde no Acre é grande, e as comunidades rurais do Estado, compostas por uma variedade de populações, como indígenas, seringueiros, extrativistas e ribeirinhos. A maioria desses povos é considerada isolada ou de difícil acesso. Situam-se nos meandros das florestas e no alto dos rios, com acesso apenas por via fluvial e longos deslocamentos que duram até quatro dias.
“Para chegar com as políticas verdes a essas localidades exige-se um grande comprometimento do governo do Estado. O Acre, desde 1999, vem encarando o desafio de implementar uma economia verde capaz de reverter o atual quadro econômico e social da região, e foram essas experiências desenvolvidas aqui que apresentamos no II Diálogo Federativo Rio + 20, que aconteceu em Brasília”, destacou Medeiros.
Políticas Públicas Sustentáveis

O Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC) é o instrumento que levanta as necessidades e expectativas das comunidades (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Entre as experiências apresentadas e aprovadas no evento, destaca-se o Ordenamento Territorial Local (OTL), no qual as ações de políticas públicas nos municípios devem ter como base um Plano de Gestão Terri­torial e Ambiental com diretrizes para o uso e ocupação do território (OTL), visando o desenvolvimento socioeconômico, a proteção e o uso sustentável dos recursos naturais.

Também podemos citar o Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC), instrumento que levanta as necessidades e expectativas das comunidades, bem como as estratégias pactuadas de promoção do desenvolvimento e sustentabilidade local, tendo como base metodológica a orientação para inclusão social, observando a vocação econômica, cultural e tipologia de cada comunidade, bem como as possibilidades de integração com as cadeias produtivas das Zonas Econômicas de Desenvolvimento.
O Plano de Gestão das Terras Indígenas (PGTI) é mais um instrumento de autoria dos Povos Indígenas que sintetiza as necessidades e estratégias das terras indígenas para a promoção da sustentabilidade socioambiental. Os indicativos dos planos de gestão consistem na identificação de possíveis projetos e premissas de ações, formalizadas nas comunidades indígenas, mas ainda não consolidadas em um plano de gestão e que estão presentes nas etapas de diagnósticos do Etnozoneamento.
O Plano de Gestão das Terras Indígenas (PGTI) é mais um instrumento de autoria dos Povos Indígenas que sintetiza as necessidades e estratégias das terras indígenas (Foto: Arquivo Secom)

Quando o assunto é educação, além da capacitação e valorização do corpo docente e de reformas nas escolas da rede pública, o Asas da Florestania Infantil destaca-se por ser um programa pelo qual o governo leva educação infantil para crianças de 4 e 5 anos residentes em comunidades rurais de difícil acesso, localizadas em Reservas Extrativistas, às margens de rios e em assentamentos. A estratégia conta com uma proposta pedagógica especialmente pensada para o público alvo, com atendimento domiciliar, em que agentes levam o material didático (livros, material escolar, recursos multimídia) necessários para que diminuam as dificuldades que a localização geográfica ocasiona.
Outra política sustentável é o Manejo Florestal Comunitário, que foi destacado pelos consultores. Além de estratégia de conservação, o programa criou um novo segmento econômico, com pessoas passando a se interessar pela ferramenta, devido ao incremento na renda mensal. Atualmente, 500 famílias atuam em 127 mil hectares e atendem as necessidades da região, como o polo moveleiro de Cruzeiro do Sul, a fábrica de pisos de Xapuri e os Laminados de Triunfo.


Outra política sustentável é o Manejo Florestal Comunitário, que foi destacado pelos consultores (Foto: Arquivo Secom)
 O fortalecimento da piscicultura acreana
Entre as atividades que possuem rentabilidade econômica, capacidade de inclusão de um número grande de produtores e baixo impacto ambiental, a piscicultura destaca-se como alternativa de renda para pequenas e médias propriedades, por proporcionar variadas opções de comercialização, como a criação de alevinos, engorda de peixes, venda a varejo e contato direto com os consumidores.
Entre as atividades que possuem rentabilidade econômica, capacidade de inclusão de um número grande de produtores e baixo impacto ambiental, a piscicultura tem seu destaque (Foto: Gleilson Miranda/Secom)

Nesse contexto, segundo o governador Tião Viana, o governo do Estado executa atualmente o maior programa de piscicultura da história do Acre, que se destina a modificar a estrutura econômica de produção primária do Estado, sendo uma atividade economicamente viável, socialmente inclusiva e ambientalmente adequada. O objetivo é tornar o Acre uma referência em piscicultura de alta produtividade, baixo impacto ambiental e produção de qualidade.
O governador Tião Viana afirma ainda que o grande desafio do Acre hoje é uma agenda de desenvolvimento integrada, com clareza dos grandes eixos de desenvolvimento, direcionados para a Economia Verde, Saneamento Ambiental, Crédito, Infraestrutura Amazônica e incentivos para indústria que contemplem a valorização diferencial da produção e cadeia produtiva sustentável e inclusiva.
O Acre cuidando de seus rios e igarapés
Outra ação pioneira desenvolvida no Estado é o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PLERH), tendo sido preciso mapear o potencial hídrico do Estado e sua capacidade de uso. O PLERH foi construído de forma participativa e congrega em seu plano de ação o incentivo à formação de organismos de bacias hidrográficas, a modernização e ampliação da rede hidrometeorológica, o estabelecimento da rede de monitoramento da qualidade da água, o apoio à gestão municipal de bacias, a formação e capacitação em recursos hídricos e o estabelecimento do programa de conservação e recuperação de nascentes e matas ciliares na bacia dos rios Acre e Iquiri.


Os estudos e medidas do PLERH prepararam o Estado para as ações mais efetivas, onde diversos programas foram lançados para a manutenção dos rios (Foto: Angela Peres/Secom)

 Os estudos e medidas do PLERH prepararam o Estado para as ações mais efetivas, onde diversos programas foram lançados para a manutenção dos rios. Entre eles destaca-se o Programa de Conservação e Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares da Bacia do Rio Acre. Seu principal objetivo é o de integrar a sociedade no processo de conservação e recuperação de nascentes e matas ciliares da bacia desse rio, há muito degradada, adotando práticas de restauração da vegetação combinadas com mecanismos de formação, comunicação e educação ambiental, possibilitando, inclusive, a remuneração dos produtores rurais pelos serviços ambientais providos.

O Programa de Conservação e Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares da Bacia do Rio Acre tem como objetivo integrar a sociedade no processo de conservação e recuperação de nascentes e matas ciliares (Foto: Angela Peres/Secom)

O secretário de Meio Ambiente, Edegard de Deus, destaca como ponto prioritário para a Agenda Integrada de Desenvolvimento da Amazônia a formulação de uma política ambiental que vá além das estratégias de comando e controle. “Buscamos potencializar o uso econômico dos recursos florestais e serviços ambientais com programas de infraestrutura e saneamento que atendam as especificidades da região. Os financiamentos e incentivos são direcionados para formação de ativos florestais e ambientais, ciência, tecnologia e inovação, qualificação e formação e mecanismo de inserção da Amazônia na economia global, principalmente por meio de seus ativos ambientais”, finalizou Edgard de Deus.

“O Homem, a Floresta e sua obra” (Final)

Publicado em 03 / jun / 2012 no Blog Varal da Ideias


Texto de Libério Souza, Diretor do Patrimônio Histórico do Acre.



 Quase a metade das vinte e tantas obras de Leandro Tocantins estão na orbita do tema do nosso Acre. E não são apenas publicações ilustrativas sobre as disputas armadas, negociações diplomáticas e comerciais, jogos de interesses políticos, estruturação do sistema extrativista e cotidianidade amazônica. Trata-se de uma ampla enciclopédia que vai muito além da histórica saga nordestina. Seus escritos trazem como pano de fundo um cenário amazônico revelador de contrastantes realidades e constantes transformações. Tanto as publicações históricas quanto as obras de ficção expressam a ampla dimensão do olhar penetrante do escritor sobre o universo amazônico. Não por acaso Gilberto Freire o enxergava como um dos maiores interpretes da Amazônia, capaz de apreender no serpenteio dos rios o comando da vida amazônica e de aplicar sutil e inteligentemente a sua sensibilidade e veia poética em todos os seus livros.


Convencido e atraído pela idéia de enrobustecer o acervo da Biblioteca da Floresta integrei o grupo que foi ao encontro da família para requerer a guarda dos possíveis temas amazônicos deixados pelo escritor. A ponte com a família partiu do jornalista Mauricio Melo, da TV Senado, que aceitou compor a equipe desde Brasília. Representando o Governo do Acre foram além de mim: Marcos Afonso, Marcos Vinicius e a Procuradora Rejane Lima, para tratar dos aspectos legais da imaginada doação.
De repente, já no Rio, duas surpresas. A primeira dando ciência de que a biblioteca havia sido doada a uma instituição religiosa, cumprindo assim a vontade pessoal do Leandro ainda em vida. Fato que inevitavelmente abalou a todos deixando-nos atônitos e envoltos por um generalizado clima de frustração. E a segunda, a redenção, revelando que praticamente toda documentação (provavelmente quase toda) estava guardada e sob domínio da esposa e da filha. Bastou essa informação para mudar o astral do grupo. Após apresentação das intenções e mediante agradável bate papo foi possível ter acesso ao material engavetado. A proposição de empréstimo foi apresentada e imediatamente a família se dispôs a ceder o acervo para um órgão capaz de garantir a preservação e difusão da memória documental do autor.
A oportunidade era única e irrecusável. É como se fossem os anéis, mas ficasse o mais importante: os dedos. No caso, o acervo que estava ali a nossa frente, composto por milhares de documentos originais.


O vapor Victória e Leandro Tocantins, pela pena do renomado desenhista Poty,  seu amigo pessoal…
Feito o primeiro aceno, a família demonstrou-se confiante mediante proposta de guarda da documentação existente. Um mês depois da reunião o acervo foi cedido e transportado para o Acre. Trata-se de manuscritos do Leandro referentes às pesquisas para formação histórica; fotolitos da versão original de Euclides da Cunha e o paraíso Perdido, enviado à gráfica para impressão; acervo fotográfico; objetos pessoais; condecorações; certificados, quadros; ilustrações originais de Poty, Percy Lau, Marco Antônio, Nilson Pena, José Américo e outros artistas reconhecidos pela produção nacional utilizada em praticamente todas as suas obras. Além de correspondências de Gilberto Freire, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira de Castro, Erico Veríssimo e de tantos outros documentos referentes à sua trajetória pessoal e profissional. Os contatos, as viagens e os acervos pesquisados, os cargos e, sobremaneira, a sua inquestionável relação com a Amazônia. Tudo poderá ser acessado e analisado.
No momento, todo o material está sendo sistematizado por colaboradores do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural e da Biblioteca da Floresta. Em seguida será higienizado e digitalizado e tão logo sejam concluídas as etapas descritas a documentação será disponibilizada para consulta e pesquisa a todo e qualquer interessado em conhecer a longa estrada percorrida por Leandro Goes Tocantins para nos deixar um legado que tem o respeito até mesmo daqueles que caminham por outros mares da história.
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NOTA: Para alegria de todos os historiadores e amantes do Acre, no próximo dia 15 de junho, data em que se comemora os 50 anos do Acre Estado, 10h00, o Governador Tião Viana estará recebendo das mãos da viúva e filha de Leandro, Dona Léa e Rosane Tocantins, todo o acervo pessoal do escritor, na Biblioteca da Floresta. Na solenidade, será aberta a Exposição “O Homem, a Floresta e sua Obra”. Todos estão convidados a esta justa homenagem a Leandro Tocantins e ao Acre. Dia 15, 10h00, na Biblioteca da Floresta.