quarta-feira, 5 de junho de 2013

Em visita à Biblioteca da Floresta, Clara Charf se encanta com os ideais comunistas de Chico Mendes

Viúva de Carlos Marighella veio acompanhada de lideranças femininas internacionais e servidores da SEPMulheres

Clara Charf (E) veio ao Acre foi recepcionada pelo
diretor da biblioteca, Marcos Afonso
Em plena Ditadura Militar brasileira, os ideais comunistas, na época vistos como subversivos, criaram raízes no extremo ocidental da Amazônia local, mais especificamente nas matas de Xapuri, no Acre, com a chegada do militante Euclides Távora. Em seu autoexílio no município, tornou-se alfabetizador do jovem Chico Mendes, que absorveu os ideais comunistas e iniciou o processo de luta em defesa dos povos da floresta que, em 1988, culminou com sua morte.

Vinte e cinco anos após o trágico desfecho dessa história, uma memória viva da militância comunista contra o regime militar conheceu e se emocionou com a vida e a herança de Chico para o Acre e para o Brasil. Na manhã desta quarta-feira, 5, Clara Charf (87 anos), ex-combatente de esquerda e viúva do maior inimigo da Ditadura Militar brasileira, o revolucionário Carlos Marighella, visitou a Biblioteca da Floresta/FEM e se encantou com a exposição sobre o seringueiro, líder sindical, ambientalista e herói nacional xapuriense.

"Esta biblioteca é uma obra maravilhosa", disse Charf
Charf esteve acompanhada pela diretora da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira; a indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2005, Dewi Rana Amir, da Indonésia; da ativista pelos direitos das mulheres Maria Julia, da Argentina; da secretária de Políticas para as Mulheres (SEPMulheres), Concita Maia; além de servidores deste órgão.

O grupo conheceu também a recém-inaugurada exposição Pelos Caminhos de Portugal; o acervo de livros voltados para a Amazônia; a exposição sobre o escritor e historiador Leandro Tocantins; e o Espaço Povos da Floresta, que abriga a Vitrine Indígena, a Casa do Seringueiro e a Sala de Jogos Educativos.

A militante veio acompanhada por um grupo de
ativistas pelos direitos das mulheres 
“Esta biblioteca é uma obra maravilhosa que nos dá uma ideia sobre a sabedoria, a história e a perseverança de homens e mulheres, em especial o seringueiro Chico Mendes, que lutaram pela sua liberdade. A vontade que dá é a de não ir embora nunca mais desse local limpo e belo”, disse Charf.

Para o diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso Pontes, a visita de Clara Charf foi um dos maiores presentes que a instituição já recebeu. “Ela é a heroína do povo brasileiro e a parte viva da história da nossa democracia, que deve muito a essa mulher e a seu companheiro”.

O grupo conheceu todas as exposições da biblioteca
Charf está no Acre para participar, também nesta quarta, às 19h, no Memorial dos Autonomistas, do painel internacional “Mulheres e Homens pela Paz e Contra o Tráfico de Mulheres e a Violência Sexual”, promovido pela Associação Mulheres pela Paz - a qual preside - em parceria com o Governo do Estado por meio da SEPMulheres, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e Secretaria de Estado de Turismo e Lazer (Setul), além de outros órgãos governamentais e não governamentais.

Quem é Clara Charf?
Pernambucana, Clara Charf se tornou membro do Partido Comunista do Brasil aos 20 anos de idade. Conheceu o guerrilheiro Carlos Marighella na militância e, juntos, viveram por duas décadas na clandestinidade – tempo que também compreende os anos em que foram perseguidos pela ditadura Vargas.  Foi presa e, após o assassinato do marido, em 1969, se mudou para Cuba.

Clara Charf criou a Fundação Marighella
Marighella, o “Mariga”, foi morto em uma emboscada armada pelo exército. Fundou e liderou a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma das dissidências do Partido Comunista Brasileiro criada durante a ditadura.

Marighella foi assassinado em 1969
“Graças a pessoas como Marighella chegamos ao Brasil que temos hoje, que está longe de ser perfeito, mas melhorou muito em relação ao que era naquela época”, avalia Charf, que já abraço inúmeras causas, entre elas os protestos contra a bomba atômica e as campanhas contra o envio de soldados brasileiros para a Guerra da Coréia. Hoje ela luta pelo fim da violência contra as mulheres presidindo a Associação Mulheres pela Paz.
 
A militante de esquerda (centro) e sua família
Charf e o presidente cubano Fidel Castro
(Por Leandro Chaves)
(Fotos Anaís Cordeiro)

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