Viúva de Carlos
Marighella veio acompanhada de lideranças femininas internacionais e servidores
da SEPMulheres
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| Clara Charf (E) veio ao Acre foi recepcionada pelo diretor da biblioteca, Marcos Afonso |
Em plena Ditadura Militar
brasileira, os ideais comunistas, na época vistos como subversivos, criaram raízes
no extremo ocidental da Amazônia local, mais especificamente nas matas de
Xapuri, no Acre, com a chegada do militante Euclides Távora. Em seu autoexílio no
município, tornou-se alfabetizador do jovem Chico Mendes, que absorveu os ideais
comunistas e iniciou o processo de luta em defesa dos povos da floresta que, em
1988, culminou com sua morte.
Vinte e cinco anos após o trágico
desfecho dessa história, uma memória viva da militância comunista contra o
regime militar conheceu e se emocionou com a vida e a herança de Chico para o
Acre e para o Brasil. Na manhã desta quarta-feira, 5, Clara Charf (87 anos),
ex-combatente de esquerda e viúva do maior inimigo da Ditadura Militar
brasileira, o revolucionário Carlos Marighella, visitou a Biblioteca da
Floresta/FEM e se encantou com a exposição sobre o seringueiro, líder sindical,
ambientalista e herói nacional xapuriense.
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| "Esta biblioteca é uma obra maravilhosa", disse Charf |
Charf esteve acompanhada pela diretora
da Associação Mulheres pela Paz, Vera Vieira; a indicada ao Prêmio Nobel da Paz
em 2005, Dewi Rana Amir, da Indonésia; da ativista pelos direitos das mulheres
Maria Julia, da Argentina; da secretária de Políticas para
as Mulheres (SEPMulheres), Concita Maia; além de servidores deste órgão.
O grupo conheceu também a recém-inaugurada
exposição Pelos Caminhos de Portugal; o acervo de livros voltados para a Amazônia;
a exposição sobre o escritor e historiador Leandro Tocantins; e o Espaço Povos
da Floresta, que abriga a Vitrine Indígena, a Casa do Seringueiro e a Sala de
Jogos Educativos.
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| A militante veio acompanhada por um grupo de ativistas pelos direitos das mulheres |
“Esta biblioteca é uma obra maravilhosa
que nos dá uma ideia sobre a sabedoria, a história e a perseverança de homens e
mulheres, em especial o seringueiro Chico Mendes, que lutaram pela sua liberdade.
A vontade que dá é a de não ir embora nunca mais desse local limpo e belo”,
disse Charf.
Para o diretor da Biblioteca da
Floresta, Marcos Afonso Pontes, a visita de Clara Charf foi um dos maiores presentes
que a instituição já recebeu. “Ela é a heroína do povo brasileiro e a parte
viva da história da nossa democracia, que deve muito a essa mulher e a seu
companheiro”.
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| O grupo conheceu todas as exposições da biblioteca |
Charf está no Acre para
participar, também nesta quarta, às 19h, no Memorial dos Autonomistas, do
painel internacional “Mulheres e Homens pela Paz e Contra o Tráfico de Mulheres
e a Violência Sexual”, promovido pela Associação Mulheres pela Paz - a qual preside
- em parceria com o Governo do Estado por meio da SEPMulheres, Secretaria de
Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e Secretaria de Estado de Turismo
e Lazer (Setul), além de outros órgãos governamentais e não governamentais.
Quem é Clara Charf?
Pernambucana, Clara Charf se
tornou membro do Partido Comunista do Brasil aos 20 anos de idade. Conheceu o
guerrilheiro Carlos Marighella na militância e, juntos, viveram por duas
décadas na clandestinidade – tempo que também compreende os anos em que foram
perseguidos pela ditadura Vargas. Foi
presa e, após o assassinato do marido, em 1969, se mudou para Cuba.
| Clara Charf criou a Fundação Marighella |
Marighella, o “Mariga”, foi morto
em uma emboscada armada pelo exército. Fundou e liderou a Ação Libertadora
Nacional (ALN), uma das dissidências do Partido Comunista Brasileiro criada
durante a ditadura.
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| Marighella foi assassinado em 1969 |
“Graças a pessoas como Marighella
chegamos ao Brasil que temos hoje, que está longe de ser perfeito, mas melhorou
muito em relação ao que era naquela época”, avalia Charf, que já abraço inúmeras
causas, entre elas os protestos contra a bomba atômica e as campanhas contra o
envio de soldados brasileiros para a Guerra da Coréia. Hoje ela luta pelo fim
da violência contra as mulheres presidindo a Associação Mulheres pela Paz.
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| Charf e o presidente cubano Fidel Castro |
(Por Leandro Chaves)
(Fotos Anaís Cordeiro)








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