Por: Anaís Cordeiro
Foto: Sergio Vale/Secom
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| Governador Tião Viana, Secretário Edegard de Deus e Professor Marcos Afonso participam do "Programa de Arborização Urbana do Estado do Acre" |
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| Governador Tião Viana, Secretário Edegard de Deus e Professor Marcos Afonso participam do "Programa de Arborização Urbana do Estado do Acre" |
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| Estagiários compartilham conhecimentos sobre as sementes |
| Professor Marcos Afonso conversa com as estudantes em espanhol |
| Alunos da escola Alberto Zaire se reúnem na entrada da biblioteca |
| Escrito por Leandro Chaves - leandrochaves@pagina20.com | |
| 19-Dez-2012 Publicado em Página 20 | |
Como parte da programação da Semana Chico Mendes, estudantes de escola pública visitam instituição
“As crianças são mensagens vivas que mandamos para um tempo que não veremos”, disse o professor de jornalismo da Universidade de Nova Iorque e estudioso da história da infância, Neil Postman (1931-2003). Valendo-se dessa síntese, a Biblioteca da Floresta incluiu na programação da Semana Chico Mendes a visita de jovens estudantes à instituição com o intuito de apresentá-los à história e ao legado do seringueiro e ambientalista por meio de brincadeiras e jogos tradicionais e educativos.
Realizada ontem, a visita de duas turmas da escola pública Humberto de Alencar Castelo Branco mostrou que é possível aprender fora da sala de aula. Mais que isso, revelou que uma simples brincadeira pode vir carregada de conhecimento.
Pela manhã, a turma do quinto ano conheceu a exposição “Chico Mendes: O Homem da Floresta”, que fica no térreo da biblioteca. Tendo como pano de fundo a história do Acre pós-primeiro surto da borracha, os paineis contam a vida e as realizações do seringueiro assassinado em 22 de dezembro de 1988 por defender a floresta amazônica contra o desmatamento e os direitos das populações tradicionais acreanas.
Depois, em um dos espaços localizados no segundo piso, os alunos, com idade entre 10 e 12 anos, conheceram as regras do tradicional Jogo da Onça, brincadeira de origem indígena também praticada nos seringais do Acre e similar ao jogo de Damas.
Curiosos com a brincadeira jogada há décadas pelos seus avós, que usavam a areia dos seringais como tabuleiro e pedras ou sementes como peças, os estudantes logo aprenderam as técnicas e tiveram a oportunidade colocá-las em prática.
Ramon Araújo, de apenas 11 anos, foi o primeiro a se candidatar à brincadeira. Ele escolheu a única peça que representa a onça para jogar contra a colega de turma, que ficou com os 14 botões equivalentes aos cachorros, conforme a regra. A jovem não conseguiu deixar Ramon sem movimentação no tabuleiro e perdeu o jogo.
“Achei o jogo muito divertido, ainda mais porque me fez pensar sobre o passado das pessoas que o jogavam. As outras brincadeiras me ensinaram quais animais estão extintos e o que devemos fazer para evitar que eles desapareçam”, disse o menino, referindo-se às demais brincadeiras ambientais da Biblioteca da Floresta.
Juliane Oliveira, de 10 anos, também ficou encantada com a instituição. “Muito legal ter participado dessa visita. Brinquei com o jogo que meus avós se divertiam e, ao mesmo tempo, aprendi sobre o Acre, as coisas da floresta amazônica e Chico Mendes”.
O teatro dos Chiquinhos
À tarde, outra turma do quinto ano da mesma escola conheceu os espaços da Biblioteca da Floresta e os jogos ambientais disponíveis ao público no segundo piso. Antes, eles apresentaram uma peça de teatro baseada no livro infantil “A História de Chiquinho”, produzido pelo Instituto Chico Mendes e ilustrado pelo famoso cartunista Ziraldo.
Na peça, idealizada pela educadora da biblioteca, Ozi Cordeiro, as crianças reproduziram a imagem presente nas páginas 26 e 27 do livro, em que os amigos de Chiquinho abraçam a floresta para protegerem as árvores dos “homens que não foram meninos”, conforme escreveu a autora do texto da obra, a escritora Walquíria Raizer.
A filha de Chico Mendes, Ângela Mendes, idealizadora da obra, se emocionou com a homenagem e deixou um recado às crianças. “Vocês devem ir em frente na defesa do meio ambiente e de um mundo menos injusto, assim como sonhou o meu pai. Se não cuidarmos das nossas florestas e águas, não sabemos como será o nosso futuro”.
Na ocasião, seis mudas de Ipê Branco foram doados à escola, que fez questão de deixar um recado a Chico Mendes e aos autores do “A História de Chiquinho”. Três alunos escreveram uma carta em que agradecem a oportunidade do acesso à obra.
“Olá. A parte que eu mais gostei da história do Chiquinho foi a parte em que ele e seus amigos abraçaram a floresta. Quero parabeniza-los pela história que vocês reescreveram e pelas ilustrações. Chico Mendes, eu prometo cuidar da floresta, não desmatar e não poluir o meio ambiente”, disse uma das alunas, Laura, de apenas 10 anos.
Para o diretor da Biblioteca da Floresta, o professor e jornalista Marcos Afonso, Chico Mendes está hoje na lembrança de todos os acreanos, inclusive das crianças. “O Chico continua vivo entre nós, pois ninguém nunca morre completamente. Nesta semana, queremos lembrá-lo não com tristeza, mas com alegria”, afirmou.
Promovida pelo Comitê Chico Mendes, Centro de Trabalhadores da Amazônia (CTA) e Fundação Elias Mansour (FEM), por meio da Biblioteca da Floresta, a Semana Chico Mendes começou no último dia 15, aniversário de nascimento do seringueiro, e se encerra no próximo dia 22, data em que se relembra os 24 de sua morte.
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